terça-feira, 8 de junho de 2010

O destino do amor


O frio chegou forte em BH, as pessoas estão agasalhadas, andam com mais pressa, vontade de chegar em casa e ficar confortável embaixo de um cobertor bem quentinho. A minha vontade não é diferente, só que a paixão em observar as pessoas faz até com o que frio passe, incrível, mas é verdade.

O que aconteceu dessa vez foi um pouco inusitado, eu que sempre “correndo” atrás das pessoas, me senti surpreendida com Cida. Passou por mim, e se sentou ao meu lado e logo perguntou se não me incomodava se ela me fizesse uma pergunta. Minha personagem precisava conversar, e queria ouvir uma terceira opinião, e por sorte eu estava lá.

Estava aflita, falava sem pausas e pontos finais. Viúva há um ano, queria opinião de uma pessoa mais nova, queria uma opinião “atual” sobre relacionamentos. Estava com medo de voltar ao relacionamento de 15 anos atrás, não queria que os filhos a interpretassem mal, e tinha medo que a família a interpretasse de maneira deturpada.

Cida encontrou com o ex-namorado, Moacir, no enterro do marido, como são da mesma cidade ele foi ao encontro da viúva para consolá-la, trocaram telefones, e desde então não pararam de conversar. O filho mais velho Lucas, casado com filhos, entende que a mãe precisa seguir em frente, mas Luciana sua única filha, que esperava compreensão é totalmente contra, e até saiu de casa por causa da amizade de Cida e Moacir.

Ela insistia em saber minha opinião, sem saber que o me interessava era a história que ela me contava. Falei que o amor sempre fala mais alto, que o destino estava ao lado deles, e que a filha com o tempo entenderia.

Luciana, a filha de 25 anos, era muito apegada ao falecido pai, e quando descobriu as ligações de Moacir para a mãe, chegou a pensar que o pai estivesse sendo traído. Durante todo o ano, depois do falecimento de João Lopes, Cida nunca conversou com a filha sobre a volta do ex-namorado, nunca contou que era um ex-namorado.

Senti que o mais importante não era falar da rebeldia da filha, mas sim falar sobre o namoro. Contou que voltou a ir ao cinema, barzinho, recebeu flores no trabalho, conheceu motel, e a única coisa que a deixa triste é a desconfiança da filha. O sonho dos “pombinhos” era morar juntos, mas Cida tem medo que a filha faça alguma coisa.

Na estação, Cida estava indo para casa de Moacir, no bairro Heliópolis. Depois da nossa conversa, disse que estava se sentindo aliviada. Agradeceu por ouvir, e disse que queria ter uma filha com a minha cabeça.

É.. mal sabe Cida que eu não sou essa filha com a cabeça aberta assim, mas falar para os outros é fácil.

Um comentário:

  1. É, o amor é mesmo assim. As vezes dorme, e de repente acorda com gás total.
    Ótimo trabalho, treinar é sempre bom, continue treinando seu futuro jornalístico.

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