segunda-feira, 31 de maio de 2010

Saudosismo de Iaía

Depois de uns dias sem estórias, voltei.
Não por falta delas, mas falta de uma que chamasse atenção, algo diferente.
Hoje, conversei com Soraia, mais ou menos, 40 anos, não julgando pela aparência, mas pelo tamanho da bagagem de histórias.
Tentei conversar de maneira diferente, um assunto polêmico, corri alguns riscos, poderia ter gerado um conflito, não que fosse essa a intenção.Não quis ser preconceituosa, queria mesmo era ter um assunto para conversar com aquela senhora, que estava ali parada, olhando pro tempo. Todos os dias, somos abordados por pessoas que vivem na rua, ou que vão para rua pedir esmola. Na estação não é diferente, todos os dias, um cara de uns 30 anos, passa pedindo esmola, com um pedaço de papel pedindo ajuda pra família, ele não fala, entrega o papel, se você tem dinheiro, ele gentilmente beija sua mão, se não tem, vira a cara. Nada muito difrente, aproveitei a chegada do pedinte, e conta que passa por ali " Tem 6 anos que passo aqui, e todos os dias ele bate cartão!", Soraia soltou o verbo.
O assunto importante não era o Mané,mas ficamos cerca de 10 minutos, cometando sobre desemprego, falta da família, abandono, até que entramos exatamente onde eu queria, a vida de Soraia. Nascida e criada em Belo Horizonte, moradora do bairro Suzana, trabalha como doméstica em casa de família no bairro Planalto, vai para a estação fazer baldiação até sua casa. Os filhos já sairam de casa, o mais velho casou, a moça trabalha e estuda em Sete Lagoas,onde mora com uma tia. Soraia trabalha pra ajudar o marido, mecânico. Pensei em perguntar da filha, curso, idade, mas minha entrevistada superou todas as expectativas, conversavamos sobre filhos quando ela solta, " Me casei com 17 anos, mas não casei por amor, meu pai me forçou!". OPA, cheguei onde queria. Fiquei curiosa sobre o fato, perguntei como foi o ínicio do casamento, se havia sofrido, mas a história foi me surpreendendo e não tive mais que interromper minha narradora.
" Meu pai queria me casar, eu era a mais moça das mulheres, tinha meus irmãos menores, mas as moças já haviam casado. Papai não queria moça solteira em casa, e pediu que um amigo apresentasse um rapaz pra casar com sua filha. Parece coisa de novela, mas quando eu era moça,lá em  era assim, o pai escolhia o marido para as filhas!", ela me olhava, e não parava mais de falar, confesso que deixei um ônibus passar, não queria que terminasse ali...., " Meu pai conheceu o Milton, meu marido, ele tinha 26 anos, quis mais que depressa casar, e casei. Só que o que meu pai não sabia era da minha paixão por meu primo, Joaquim. Entrei na igreja chorando, minha mãe brava, meu pai achando que eu estava emocionada, e o Milton coitado, feliz da vida! E foi assim, não sou infeliz, mas queria ter namorado mais, e ter namorado o Joaquim, que ficou bravo. Hoje ele é casado, mas não sei onde mora, não sei como anda a vida, nunca mais conversei com ele, as vezes fico pensando como seria se estivessemos juntos, penso que teria dado certo, era bom rapaz...!"
É, ainda bem que hoje em dia não tem dessa mais, pai escolher namorado, marido, e ultimamente são os últimos a saberem, coitados. Minha juventude não sabe aproveitar a vida, fica se lamentando de tudo, sofrendo por tudo, sem saber que poderia estar em situação bem pior.......


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