quarta-feira, 19 de maio de 2010

Dentro da Estação

Introdução básica. 

Eu, estudante de Comunicação, ao voltar do estágio passo pela Estação São Gabriel, região Nordeste, De Belo Horizonte, onde diariamente circulam 18 linhas de diversos itinerários gerando circulação de cerca de 500 ônibus por hora. A estação recebe também o metro o que deixa a estação na rota de quem mora em Santa Luzia e tem que ir ao centro de Belo Horizonte. Atualmente a estação ganhou a linha 8650 ligando a Estação São Gabriel ao Centro Administrativo Presidente Tancredo Neves.

Eu e a Estação 

A Estação São Gabriel, virou rotina na minha vida assim resolvi escrever sobre as DIVERSAS caras que vejo figuras que estão sempre por lá. Os nomes nem sempre serão os verdadeiros, mas a intenção é publicar os depoimentos verídicos.
Sempre que estou na estação, para matar o tempo, puxo conversa com quem está ao meu lado, com quem pede informação. Desta forma não me sinto sozinha e o tempo passa rápido. Já conversei com pedreiro, com atendente de telemarketing, vigia noturno, estudante ( a Estação é bem próxima a PUC-MG), professores, estagiários, ali encontro a explicação para diversidade.

Ao chegar à estação, depois de muita comunicação no estágio, acomodei no lugar para pegar meu ônibus e fiquei esperando a “próxima vitima”. Olhei para os lados e comecei a conversar com a Márcia, grávida de sete meses do Luan, mora em Contagem, é trabalha em um escritório de contabilidade no bairro Planalto, região Norte (próxima a estação), usa a estação como ponte do emprego para casa, assim como eu.

O inicio da conversa é demorado, hoje comecei com o atraso do ônibus, e logo passei para o fato que me chamou atenção, a barriga da gestante. Ela estava enorme, inchada, fiquei imaginando como ela não estaria se sentindo incomodada com o tamanho, pensei numa possível dor, no incomodo para andar de ônibus. Ficamos conversando sobre criança, enxoval, amamentação, ouvi caso dos seus outros dois filhos, Marcelle, e Leonardo ( gêmeos de 3 anos), até que perguntei sobre o pai, e senti que não foi a melhor pergunta a ser feita, “ O pai está preso, fiquei grávida na visita intima!”. Fiquei sem saber o que falar, mordi os lábios e me calei. Pensei que ela não fosse dar mais continuidade a nossa conversa, mas ela estava precisando ser ouvida.
A historia de Márcia me assustou, sei que não é a primeira e nem será a ultima que irei ouvir dentro deste contexto. Ficamos conversando por mais uns 5 minutos, ela resumiu sua dor ali, precisava trabalhar pra sustentar a casa, o marido fazia falta, chorava todas as noites. Não perguntei o motivo da prisão, nem o nome do sujeito, ver aquela grávida de olhar distante, sozinha, e ouvir “Mas eu sou forte, não deixo a peteca cair”, me encheram de esperança, meus problemas são tão pequenos.
Voltamos a conversar sobre crianças, sobre o tempo, e sobre a demora do ônibus. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário